domingo, 11 de outubro de 2009

5 de outubro

Uma vez eu ouvi alguém dizer que queria se sentir dependente de outro alguém. A pessoa em questão falava sobre o porquê de ter terminado com o namorado. “Ah, sei lá. Eu sou muito independente, eu queria depender dele”. Na hora, achei estranho, assim como todo mundo que estava presente. “Ela é louca”, pensamos, e começou a chuva de perguntas pra tentar entender o que ela queria dizer. Depois descobrimos que ela não queria ser dependente de verdade. Ela queria se apaixonar. Só não encontrou o termo certo. “Eu quero me sentir ligada a alguém, quero precisar dessa pessoa, pensar nela o tempo todo, coisas assim”, foi mais ou menos isso que ela falou. Agora sim. Compreensível.

Eu já devo ter falado antes sobre essa sensação, sobre o estar apaixonado. Não é algo ignorável. É um sentimento full time, que consome, que se faz perceber. Quase uma ocupação. Dói e ao mesmo tempo cura. É a dor mais feliz do mundo. É bizarro. É inexplicável. Mas está lá, firme e forte, batendo no seu coração a cada segundo do dia. E é, sim, um tipo de dependência.

Eu dependo de alguém assim. E o mais importante, eu dependo de mim pra manter firme esse compromisso, comigo, com ela. Eu dependo de mim pra não deixar o sentimento morrer, não o meu, mas o dela. Quando se é como eu, não há nada mais difícil. Eu poderia simplesmente continuar do jeito que estou e ela continuaria gostando de mim. Foi assim que ela me conheceu, assim que o sentimento nasceu.

Mas eu não quero continuar com os mesmos erros, as mesmas falhas, os mesmos problemas. Eu não quero ter que pedir desculpas pelos mesmos motivos pra sempre. Nem continuar me importando com coisas pequenas, insignificantes. Eu não quero ter que ir embora. Nem pensar no fim. Mas é isso que eu continuo fazendo. Colocando um ponto final. Comprando uma passagem só de ida.

Eu quero ficar. E quero bater de frente no mundo e quando ele desabar, eu quero poder segurar quem eu amo pela mão e carregá-la nas costas se assim for preciso. Mesmo que me mande embora. Mesmo que eu me machuque. Eu não vou desistir nem virar as costas. Eu vou tentar de novo.

E daqui a dez anos, eu não quero ser apenas uma lembrança.

So let me in. And let me stay.

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